Berlim: dicas de viagem para a histórica cidade alemã – parte 1

fev 10, 2017 | | Say something

Desde a reunificação alemã, em 1990, Berlim na Alemanha tornou-se um ponto turístico cada vez mais procurado na Europa.  A cidade é cheia de história e faz questão de preservar todos os momentos, mesmo os mais  trágicos, como uma forma de lembrança para que nunca mais se repitam. Mas mesmo tendo um histórico triste, a cidade hoje é moderna, vibrante e acolhedora. Pelo menos, essa foi a minha sensação quando estive lá. Ao contrário do que se escuta dizer por aí, que os alemães são frios e distantes, achei o povo receptivo e muito atencioso. 

Berlim

Prédio do Parlamento.

 

Berlim: dicas gerais de viagem

 

Passagens aéreas

 Não há voos diretos para Berlim, por isso, é necessário fazer escalas ou conexões em outras cidades europeias. Como eu fui de Lufthansa, fiz a conexão em Frankfurt. Mas existem conexões para outras cidades. Pesquise para ver qual companhia aérea está oferecendo o melhor preço para o período da sua viagem. Gosto muito de comprar minhas passagens pela Decolar, pois há várias opções de companhias aéreas e os preços costumam variar bastante.

 

Clima

Apesar de ter muitos meses de frio, peguei em agosto muito calor em Berlim, chegou a 35 graus! A dica é sempre conferir como ficará o clima no período da sua viagem para montar sua mala. Como eu sabia que faria bastante calor, não fui pega de surpresa, levei roupas leves e frescas e por isso, pude passear por lá bem a vontade. Mas em alguns dias precisei usar um casaquinho. Então, mesmo indicando que vai fazer calor, sempre leve uma calça jeans e um agasalho mais de meia estação. Assim, você não corre riscos desnecessários.

 

Onde de hospedar

Eu me hospedei no distrito de Mitte, por ser a região do centro histórico da cidade. É lá que estão concentradas a maior parte dos pontos turísticos e também muitos restaurantes e lojas.  Durante o período em que a cidade viveu separada pelo famigerado muro, Mitte pertencia a Berlim Oriental. Atualmente é uma área bem descolada.

Outro bairro interessante para se hospedar é o Tiergaten, nas imediações da Potsdamer Platz (Praça Potsdamer). Essa é uma área nova e bem moderna, construída após a queda do muro de Berlim. Pela cidade ainda são encontrados pedaços do muro que vivaram pontos turísticos.

Já o bairro de Charlottenburg era o centro da Berlim Ocidental, na época em que a cidade se encontrava dividida. As áreas próximas a praça Savingnyplatz e a rua Kantstrasse são repletas de cafés, restaurantes e lojas. Para se hospedar recomendo as proximidades da Avenida Kudamm (na verdade Kurfürstendamm), “apelido” de uma das principais ruas de Berlim.

O Prenzlauer Berg também é um bairro que pertencia a Berlim Oriental, e desde a queda do muro vem passando por um processo de renovação. É outra boa opção de hospedagem na cidade.

 

Transporte

O transporte público na cidade é maravilhoso, por isso, é a melhor forma de se locomover. O sistema é composto por ônibus, tram, metro tram (tipo um bondinho), U-Bahm e S-Bahm. O U-Bahm é um metrô em sua maioria subterrâneo, já o S-Bahm percorre a maior parte do seu trajeto na superfície.

Todas as modalidades de transporte público são integradas e a tarifa é unificada, o que facilita muito para o turista, claro. As estações de trem e metrô são interligadas com os ônibus.  Ao comprar o bilhete, você pode utilizar em qualquer um dos meios de transporte.

Para facilitar ainda mais, recomendo baixar um aplicativo para o seu celular. O nome é BVG, nele você coloca a estação onde se encontra e digita a estação para onde você deseja ir. O app dá três opções de rota, o horário da partida, o número da plataforma, as trocas de estação e o tempo total da viagem. E o melhor, tem Berlimversão em inglês.

 

Uma coisa que me chamou muito a atenção é que nas estações de metrô não há roletas! Ao entrar, você já chega direto às plataformas de embarque. Coisa de primeiríssimo mundo! Não há guardas vigiando, talvez estejam apenas monitorando as estações pelas câmeras. Achei isso fantástico e muito civilizado! Mas nada de querer dar aquele “jeitinho brasileiro”. Se você for pego sem tíquete, li que a multa é de 60,00 euros por pessoa e precisa ser paga na hora. É necessário validar os bilhetes em máquinas nas estações antes de entrar no vagão. Durante a fiscalização eles não aceitam a desculpa de que é turista e está mal informado.

Não é necessário fazer sinal para o ônibus ou bonde. Se tiver gente no ponto o motorista para de qualquer jeito.

A cidade também é muito segura, recomendo caminhar bastante por suas ruas. Para mim, essa é a melhor forma de conhecer uma cidade.

Mas caso você esteja um pouco longe do seu hotel e muito cansada, dá para pegar um táxi. Tudo bem que em euros nada fica muito barato para a gente, mas esse meio de transporte lá não é caro, principalmente se compararmos com São Paulo. Eles têm que ligar sempre o taxímetro (verifique sempre) e há GPS para você acompanhar o caminho. Todos os táxis são de cor creme e tem o letreiro “Táxi”, iluminado quando o veículo está livre. Todos que eu peguei tinham máquinas de cartão de crédito.

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No aeroporto pegue sempre os táxis que estão parados no ponto. Ignore os motoristas que possam abordar você fora dessa área, nunca é seguro. Não aconteceu comigo, mas não custa nada avisar.

 

Eletricidade

Em Berlim a eletricidade é 220 V e a tomada é de dois pinos cilíndricos. Então, não leve  secadores, chapinhas e outros aparelhos que não sejam bivolt ou 220 V. Os hotéis costumam oferecer secador, menos uma coisa na mala!

 

Segurança

Como já mencionei, a cidade é bem segura, mas há batedores de carteiras nos transportes públicos e nos pontos turísticos mais movimentados. Em qualquer grande cidade do mundo é recomendável sempre andar com seus pertences para a frente. Evite andar com muito dinheiro, deixe sempre um parte no cofre do hotel, assim você divide o risco.

Existe também uma turma que fica pedindo dinheiro com uma prancheta para instituições de caridade. É mentira! É um golpe que eles vêm aplicando com frequência pelas cidades europeias. Com a prancheta que eles têm nas mãos, eles recobrem a sua bolsa e aproveitam a sua distração para furtar seus pertences. Não dê conversa a ninguém estranho.

Mas não há nada que chegue nem perto da violência que enfrentamos diariamente em todo o país.

Nas madrugadas, contudo, sempre é bom ficar ainda mais atento. Evite beber demais para não se tornar um alvo fácil.

Recentemente, a cidade sofreu um atentado terrorista. Infelizmente, temos que conviver com esse risco em várias cidades do mundo.

 
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Gorjetas

Nos táxis, costuma-se dar 1 a 2 euros de gorjeta, conforme a distância percorrida. Nos restaurantes a gorjeta não vem incluída na conta. Eles também costumam dar 10% de gorjeta.

 

Dicas de pontos turísticos

Chegou a parte mais divertida de se ver e comentar. A cidade é riquíssima em pontos turísticos, muito bem conservados. Alguns foram deixados de propósito do mesmo jeito que ficaram após os bombardeios da Segunda Guerra. A ideia é deixar essas tristes lembranças como exemplo para as futuras gerações, que não viveram os horrores da guerra, para que as pessoas nunca se esqueçam e jamais repitam.

Só para você ter uma ideia da quantidade de pontos turísticos a serem visitados em Berlim, existe uma região que é chamada de Ilha dos Museus (Museumsinsel), que tem nada mais, nada menos, que 5 museus enormes, um bem próximo ao outro. A Ilha dos Museus é mesmo uma Ilha no rio Spree, mas não é necessário pegar nenhum tipo de barco para chegar a ela. Foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1999. Vou falar mais sobre cada museu depois.

Se você não é fã de museus, recomendo que visite pelo menos um, o Pergamon Museum, museu mais visitado de Berlim. É simplesmente magnífico!!

Eu visitei todos e se voltar na cidade, visitarei novamente! Se você não curte museus de jeito nenhum, não deixe de ir até a Ilha dos Museus para pelo menos conferir a arquitetura dos prédios.

Existem passes de turismo que dão direito a visitar esses 5 museus e outras atrações por um preço bem mais em conta que comprando tudo separadamente. O que eu usei se chama Museumpass e eu comprei perto do Portão de Bradenburg.

 

Portão de Brademburgo (Bradenburg Tor)

Berlim

Portão de Brademburgo

É o mais conhecido símbolo de Berlim. Foi construído entre 1788 e 1791, era um dos portões que dava acesso a Berlim, quando a cidade era ainda pequena e rodeada por um muro. Os baixos relevos retratam cenas da mitologia grega. No alto há uma escultura de Johann Gottfried Schadow, a Quadriga, representando a deusa da paz Irene sobre uma biga puxada por quatro cavalos. Em 1806, durante a ocupação francesa, a escultura vai mandada para Paris a mando de Napoleão. Em 1814, após a Prússia derrotar Napoleão, a escultura voltou a Berlim e como símbolo da vitória, recebeu um mastro com a água da Prússia e uma cruz de ferro enfeitada com uma coroa de louros. O portão ficava no lado oriental de Berlim. Após ser danificada, precisou ser refeita pelo lado ocidental em 1958.

 

Unter den Linden

É uma das ruas mais famosas de Berlim. Começa na Schlossplatz e segue até a Pariser Platz e o Portão de Brandemburgo. A partir do século XVIII ganhou muitas construções importantes, restauradas depois da Segunda Guerra Mundial. Depois da reunificação da Alemanha, ganhou muitos restaurantes, cafés e lojas.

Nesta avenida encontram-se muitas atrações turísticas e pontos interessantes como a Ópera de Berlim, A Universidade Humboldt, o Neue Wache, o Museu Histórico Alemão etc.

 

Bebelplatz

A praça foi cenário, em 10 de maio de 1933, da queima de cerca de 25 mil livros pelos nazistas considerados inimigos do Terceiro Reich. Hoje em frente à Universidade Humboldt, fica um memorial no mínimo diferente. Através de placas de vidro no chão você pode ver uma sala cheia de prateleiras vazias.

A obra de arte criada por um Micha Ullman, um artista israelense, é chamada de “Biblioteca”, e faz referência aos exemplares incinerados. Próximo as placas de vidro há uma inscrição com uma frase dita por Heinrich Heine que diz: “Aquilo foi somente um prelúdio; onde se queimam livros, queimam-se no final também pessoas”.

 

Berlim

Imagem: Wikipedia.

 

Universidade Humboldt

Berlim

Universidade Humboldt

 

O prédio da universidade foi erguido em 1753 pelo príncipe Henrique da Prússia. Desde lá o projeto já foi ampliado várias vezes. Na entrada há duas esculturas de mármore de Paul Otto (1883), representando Wilhelm e Alexander Von Humboldt. Wilhelm foi advogado e político e em 1810 fundou a Universidade de Berlim, depois renomeada para Humboldt, onde dava aulas de linguística comparada e histórica. Seu irmão, Alexander, também foi professor e dedicou-se às ciências naturais. Achei muito legal saber que cientistas famosos como o médico Robert Koch e o físico Albert Einstein trabalharam lá.

Sempre fico encantada com a antiguidade e a conservação dos prédios, esculturas e obras que se encontram por grande parte da Europa. Sonho com o dia que o Brasil será assim. 

Nossa, esse post já está bem grande! Continuo com as dicas de mais pontos turísticos em um próximo post. Aguardem! 🙂

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