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Adoçantes e amamentação

Adoçantes dietéticos na gestação e na amamentação

 Com a epidemia de obesidade que assola o mundo, os adoçantes dietéticos vêm sendo cada vez mais utilizados como uma forma de reduzir o consumo de calorias pela população. Apesar de serem produtos considerados seguros pelas autoridades de saúde, seu uso divide a comunidade científica.
Adoçantes na lactaçãoA Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia publicou recentemente uma revisão da literatura sobre a segurança do uso de adoçantes por gestantes e lactantes e concluiu que o uso não deve ser indiscriminado, principalmente por mulheres nessas condições fisiológicas.
Pesquisas feitas nos EUA verificaram a presença de adoçantes dietéticos em mais da metade das amostras de leite materno coletadas para estudo.



O que são adoçantes dietéticos

Os adoçantes dietéticos ou adoçantes de mesa são produtos formulados para conferir sabor doce aos alimentos e bebidas. Os adoçantes surgiram como alternativa para adoçar os alimentos e bebidas de quem não podia consumir açúcar, como os pacientes diabéticos. Devido ao seu baixo valor calórico (alguns são isentos de calorias inclusive), com o tempo, o produto foi introduzido na alimentação das pessoas que objetivam manter ou reduzir o peso.

Os adoçantes dietéticos são constituídos por edulcorantes e agentes de corpo (água entre outras substâncias).

Os edulcorantes podem ser naturais (geralmente extraídos de vegetais e frutas) ou artificiais (produzidos em laboratório). Não são necessariamente açúcares, e possuem capacidade adoçante superior à da sacarose (açúcar de mesa), então, com pouca quantidade do produto é possível conferir sabor doce as preparações.

Edulcorantes naturais e artificiais

Os edulcorantes naturais mais utilizados são:
  • O esteviosídeo (estévia)
  • O sorbitol
  • O manitol
  • A sucralose

Já os edulcorantes artificiais são:

  • A sacarina
  • O ciclamato
  • O aspartame
  • O acelsulfame-K

 

Consumo de adoçantes dietéticos na gestação e na amamentação

Todas as gestantes e nutrizes estão liberadas para usar adoçantes?

Apesar dos adoçantes serem considerados seguros, seu uso divide a comunidade científica quanto à toxicidade e indicação. Vários estudos vêm sendo feitos no mundo todo e alguns apontam para riscos a saúde com o consumo frequente e em altas quantidades desses produtos. Outros estudos, contudo, afirmam que não há motivos para preocupação.

Como não há um consenso sobre o uso desses produtos pela população, a Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia publicou uma revisão da literatura sobre a segurança do uso de adoçantes por gestantes e lactantes (mulheres que estão amamentando). Os pesquisadores concluíram que o uso de adoçantes durante a gestação e lactação deve ser reservado para as pacientes que precisam controlar o seu ganho de peso e para as diabéticas.

Ou seja, o artigo publicado afirmou que os adoçantes só são indicados para mulheres grávidas e lactantes quando os riscos do consumo de açúcar são maiores do que os riscos potenciais do consumo dos adoçantes. Portanto, aqui está se falando de sobrepeso ou obesidade comprovados e problemas na manutenção da glicemia, não do culto a magreza a qualquer custo.


ganho de peso ideal na gestação é baseado nas recomendações do Institute of Medicine (IOM- 2009) e deve levar em consideração o IMC (Índice de Massa Corporal) pré-concepcional da paciente. Só o médico ou o nutricionista que estão acompanhando a mulher estão aptos a fazer o cálculo e assim orientar a paciente quanto ao ganho de peso durante o período gestacional.

Tanto o excesso de peso quanto o baixo peso da mãe têm consequências para a criança e para a mulher.

Essa revisão da literatura relacionou ainda quais adoçantes devem ser priorizados pelas gestantes e lactantes. São eles: o aspartame, a sucralose, o acesulfame-K e a estévia.

 

Adoçantes e amamentação

Os adoçantes podem chegar ao leite materno?

Em outro estudo, pesquisadores do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais (National Institutes of Health), de Maryland nos EUA, coletaram em 2015, amostras de leite materno de 20 nutrizes voluntárias, independentemente de serem ou não usuárias frequentes de adoçantes. Além disso, as voluntárias responderam um questionário alimentar com o intuito de avaliar o consumo de alimentos que contém adoçantes. Os adoçantes avaliados foram sacarina, sucralose, acesulfame-K e aspartame.

Os resultados dessa pesquisa demonstraram que os adoçantes sacarina, sucralose e acesulfame-K estavam presentes em 65% das amostras, enquanto que o aspartame não foi detectado. Como o estudo usou uma amostra pequena, o resultado não significa que o aspartame comprovadamente não tenha riscos.

A principal fonte de ingestão materna desses adoçantes foi através da sua apresentação em pó. No entanto, com exceção de uma participante, todas relataram o consumo médio de 1-2 latas de refrigerantes diet por dia (uma voluntária relatou a ingestão de 7 latas por dia).

Os investigadores também descobriram que 66% das nutrizes que não estavam fazendo uso consciente de adoçantes. Ou seja, mesmo informando que não utilizavam esses produtos, essas mulheres apresentaram níveis detectáveis de adoçantes no leite materno. Isso sugere que muitas não têm conhecimento de que adoçantes artificiais possam estar presentes em vários alimentos e bebidas que consomem.


Segundo os autores, antes desse estudo, a sacarina era o único adoçante reportado como presente no leite materno em usuárias desse produto. Esses novos dados demonstram que vários tipos de adoçantes podem passar para o leite materno.

Os estudiosos concluíram que pesquisas adicionais são necessárias para determinar se a exposição precoce aos adoçantes através do leite materno pode afetar os bebês. Outras pesquisas com uma amostra maior também precisam ser feitas.

De qualquer forma, como nutricionista só recomendo o uso de adoçantes por grávidas e lactantes se houver indicações médicas, por vaidade apenas, não.

O uso de açúcar, principalmente o branco, deve sempre ser feito com parcimônia, devido a grande quantidade de calorias vazias e o alto índice glicêmico. Outros alimentos podem ser usados para adoçar como o mel, as tâmaras, as uvas passas e até o açúcar mascavo, que além de calorias, conferem ainda sais minerais, vitaminas, antioxidantes e fibras. Mas esses alimentos também são calóricos e elevam as taxas de açúcar no sangue rapidamente, por isso, também devem ser consumidos em pequenas quantidades.

Adoçantes dietéticos na gestação e amamentação

 

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2 comentários em “Adoçantes dietéticos na gestação e na amamentação”

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