Nutrição Comportamental.

Conheça a Nutrição Comportamental

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O ato de se alimentar é muito mais do que ingerir calorias e nutrientes. É parte intrínseca de diversos contextos culturais, sociais e psicológicos. Assim, tantos nos momentos de alegria quanto de tristeza, nos rodeamos de alimentos. Isso faz com que a fome e a saciedade se confundam com outras sensações e sentimentos, podendo levar a excessos. Então, precisamos voltar a um consumo mais consciente, baseado em nossas reais necessidades. E não para preencher algum vazio emocional ou para atender a expectativas da sociedade. Para fazer frente a esses desafios, surgiu a Nutrição Comportamental. Entenda o que é e como seguir, para voltar a ter uma relação saudável com a comida. E, ainda assim, emagrecer. Coloque em prática hoje os 7 princípios da Nutrição Comportamental.



Um mundo de sobrepeso e obesidade

A luta contra a balança é uma situação vivenciada por cada vez mais pessoas. Existem no mundo hoje, segundo a revista Lancet, 2,1 bilhões de pessoas acima do peso. Número quase o triplo do da década de 1980. Isso significa que 1 em cada 3 pessoas no mundo está com sobrepeso ou obesidade.

Com esses números crescendo ano após ano, é natural que tenha chamado a atenção do mercado. Foi criada então toda uma indústria, voltada a fabricar e oferecer ao consumidor, sempre ávido por soluções rápidas e fáceis, toda uma gama de produtos.

Dietas restritivas, alimentos “saudáveis” prontos para consumo, livros, revistas e palestras. Mas também equipamentos, APPs para celular, programas de TV, restaurantes e mercados especializados em comidas para dieta, etc.

Mas mesmo com tanta informação circulando, o número de pessoas obesas no mundo não para de crescer. É como um círculo vicioso. Cada vez mais gente com sobrepeso ou obesidade e cada vez mais gente consumindo esses “produtos milagrosos”. No meio de toda essa ciranda estão os alimentos hora vilões, hora mocinhos.

Nutrição Comportamental.

O outro lado da moeda: a ortorexia

Trata-se de um transtorno alimentar, uma espécie de neurose da alimentação saudável. Igualmente nociva e tão perigosa quanto a bulimia e a anorexia, a ortorexia nervosa é incentivada principalmente nas redes sociais.

Existem diversos perfis das chamadas “blogueiras fitness”, que pregam atitudes e práticas nocivas e extremamente restritivas. Mas em segredo, se submetem a plásticas e outros tratamentos estéticos para atingir o tal padrão idealizado. Este impossível de se chegar apenas com dieta e exercício.

A alimentação então deixa de ser um prazer, e passa exclusivamente a ser um meio de se nutrir. Assim, o consumo de cada grama de nutriente deve ser exaustivamente avaliado. Tudo para não comprometer o atingimento das formas corporais idealizadas.

O excesso de atividade física, por exemplo, vira uma obrigação diária inegociável.



O que é a Nutrição Comportamental

A OMS define saúde como “o completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de enfermidade”.

Então, com base nessa definição, quem vive contando calorias de tudo. Quem se recusa a sair com os amigos ou a família para não furar a dieta. Ou quem corre quilômetros só porque comeu uma colher de sorvete é saudável?! A resposta é não. Pessoas cheias de neuras e culpas não são pessoas realmente saudáveis.

Dessa forma, como contraponto a tudo isso surgiu um movimento denominado Nutrição Comportamental. Esta tem o objetivo de ajudar as pessoas a fazerem as pazes com os alimentos. A ideia principal é voltar a ter uma relação saudável com comida.

Busca a mudança dos rumos da atual visão restrita e dicotômica da alimentação. Do saudável x não saudável, dos alimentos bons x alimentos ruins, do proibido x recomendável, onde o prazer de comer é sempre associado à culpa.



Uma visão mais ampla

Assim, a Nutrição Comportamental, abordagem científica e inovadora da Nutrição, leva em consideração não apenas a comida, mas todo o comportamento relacionado a ela. Inclui, também, os aspectos fisiológicos, sociais e emocionais da alimentação.

E, como o próprio nome já indica, visa promover mudanças de comportamento. Ou seja, resgatar nos indivíduos o “comer intuitivo”, aquele que leva em consideração as necessidades do próprio corpo, a fome e a saciedade.

O comer intuitivo não é, e nem pretende ser, mais uma dieta com o objetivo principal de produzir a perda de peso. Mas sim um instrumento de resgate dos sinais internos de fome, saciedade e autonomia alimentar, que pode ter como consequência a perda de peso.

Assim, são utilizadas diferentes ferramentas e estratégias para trabalhar mudanças no relacionamento e na comunicação do nutricionista com seu paciente. A Nutrição passa a ser praticada de maneira mais holística, humana e inclusiva. Ou seja, o ser humano é sempre mais importante que o corpo humano. A comida é sempre mais valorizada antes de cada nutriente.

A Nutrição Comportamental e o mindful eating

A Nutrição Comportamental tem uma abordagem diferente da tradicional, priorizando a autonomia do paciente. Assim, a ideia é prepará-lo para fazer suas próprias escolhas sem a necessidade de seguir um cardápio.

São então trabalhadas com o paciente estratégias e técnicas de mudança de comportamento. Estas vão desde a elaboração de metas até técnicas de comer com atenção plena. É o chamado mindful eating ou comer intuitivo.

Ou seja o paciente é conduzido à se reconectar com seus sinais internos de fome e saciedade para reaprender a comer de acordo com a própria vontade. Ao invés de seguir de forma automática o horário da dieta ou a quantidade de alimento prescrita.

A seguir confira 7 recomendações da Nutrição Comportamental.

Nutrição Comportamental

Recomendações da Nutrição Comportamental

1. Rejeite a mentalidade de dieta

Desapegue-se da falsa esperança de que existe uma dieta que leve à perda de peso rápida, fácil e permanente. Essas dietas só servem para te deixar frustrada e fazer você se sentir uma fracassada toda vez que engorda, mas enriquecendo seus criadores.



2. Respeite seu corpo e aceite sua genética

Fica muito difícil rejeitar a mentalidade de dieta se você tem expectativas fantasiosas e é extremamente crítica com relação à sua forma corporal.

3. Coma com atenção

Minha avó sempre me dizia: “a hora da refeição é uma hora sagrada”. Assim, é hora de você prestar atenção no que está comendo, mastigar bem e se deliciar com o sabor dos alimentos. Ou seja, sentir o prazer de uma refeição com alimentos de verdade.

Não é hora de estar conectado com qualquer aparelho eletrônico. Então, nada de TV, celular ou tablet durante as refeições. É estar presente à mesa de corpo e alma, prestando atenção aos sinais internos de fome, saciedade e satisfação.

É observar atentamente o que você está comendo, e comer mais devagar. Assim, são menores os riscos de se comer demais. Também já está comprovado que o cérebro demora alguns minutos para registrar a saciedade. Então, dê tempo a ele!



4. Pare de pensar em dieta

As dietas são assuntos dominantes em qualquer roda feminina. Virou uma neurose. Toda essa super preocupação com a alimentação, com o que engorda ou não, o que intoxica e desintoxica, aumenta a produção de hormônios do stress. E isso, na verdade, acaba produzindo no corpo o efeito inverso do que se deseja.

Veja também o post: Conheça a opinião do Conselho Federal de Nutricionistas sobre as dietas detox.

Está cientificamente comprovado que o stress engorda! As pessoas precisam se conscientizar que há um limite para as mudanças do corpo. É, portanto, impossível atingir o ideal imposto pela indústria da moda e das celebridades.

A busca por uma alimentação perfeccionista também é um transtorno e tem nome, a ortorexia nervosa, já comentada aqui nesse texto.



5. Nada é proibido, mas o excesso é prejudicial

Nutrição Comportamental

É importante ressaltar que o consumo exagerado de qualquer coisa faz mal à saúde. Até água! Então, não será benéfico o consumo indiscriminado e frequente de apenas alguns poucos tipos alimentos, ditos saudáveis pelos gurus da internet. Diga não a monotonia alimentar!

E, também não tenha uma lista interminável de alimentos proibidos. Mas atente-se sempre a quantidade que você está ingerindo. Tenha uma alimentação variada e colorida.

E você não precisa comer uma dieta 100% perfeita para ser saudável. Esteja consciente daquilo que você come, mas não viva só pensando em comida.

6. Honre sua fome, mas aprenda a diferença entre fome e ansiedade

Uma forma um pouco trabalhosa de identificar quando comemos por fome ou por ansiedade é fazer um Diário Alimentar. Para isso basta anotar ao lado de tudo o que você come as emoções vivenciadas no momento daquela refeição. Depois de algum tempo seguindo essa metodologia, você estará se conhecendo melhor. E apta a fazer essa diferenciação de forma tranquila e natural.

Uma pesquisa realizada recentemente, na Universidade de Cornell, trouxe como resultado que comer sem fome pode elevar os picos de glicemia. Ao consumirem uma refeição a base de carboidrato, mas “sem” estarem com fome, indivíduos apresentaram maiores picos de glicemia. Isso quando comparados àqueles que consumiram a mesma refeição, porém com sensação de fome. Então, se estiver realmente com fome, coma!



7. Exercite-se por saúde

Faça exercícios não apenas para perder peso. Ache uma atividade física que dê prazer antes de tudo. Praticá-la não pode ser um suplício. Tem que ser motivo de alegria. Hora de descontração. Por isso, muita gente tem optado pela dança, por exemplo.

8. Valorize a arte de cozinhar e aprecie o prazer de comer 

Valorize a comida de verdade, feita com produtos naturais e frescos. Também cozinhe mais, para você realmente saber o que está comendo. E saboreie e desfrute da sua alimentação. Alguns utensílios ajudam muito a preparar refeições saudáveis e de forma rápida. Dá só uma lida aqui nesse post.



Conclusão

Nutrição Comportamental.

Concluindo, aprender a diferença entre fome e ansiedade e um ponto nevrálgico da nutrição comportamental. É, também, um desafio para quem vive em conflito com a balança. Envolve autoconhecimento e um mergulho profundo, muitas vezes até doloroso, nas razões pelas quais comemos.

Assim, frequentemente descobrimos que comemos não porque estamos com fome. Mas, muitas vezes, buscamos conforto num alimento para aplacar nossa ansiedade. Para preencher um vazio emocional, que nenhuma comida é capaz de saciar. Daí os excessos.

As propostas da nutrição comportamental, portanto, nos convidam a olhar para dentro de nós mesmas. Nos fazem admitir que estamos lidando de forma equivocada com as nossas emoções.

Assim, durante esse processo, talvez você perceba que não consegue fazer essa análise sozinha. Mas tudo bem, procure ajuda de um profissional da área da psicologia para acompanhar você nessa jornada.

No entanto, esse novo olhar para a forma como nos alimentamos pode ser a esperança de um emagrecimento duradouro. E de uma vida mais plena e feliz também.

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Enfim, é isso por hoje. E aí, curtiu esse post? Achou útil? Comente. Adoro conhecer sua opinião.



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