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Sal rosa do Himalaia: vale a pena pagar mais por ele?

De vez em quando surge um produto novo no mercado de alimentação e que promete verdadeiros milagres. Esse é o caso do sal rosa do Himalaia, que virou o queridinho por ser considerado uma opção com baixo teor de sódio e elevado conteúdo de outros minerais. Além de ser um produto bem mais caro que o sal comum, as perguntas que mais escuto são: “Vale a pena pagar mais por esse sal?”, “É realmente um produto melhor do ponto de vista nutricional?”, “Existem riscos no seu consumo?” Saiba as respostas para essas perguntas no post a seguir.


Doenças com origem no estilo de vida

As doenças crônicas não transmissíveis, como as doenças cardiovasculares, o diabetes mellitus tipo 2 e o câncer, são atualmente as principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo.

Consideradas uma complexa interação entre genes, ambiente e dieta, esse grupo de doenças surgiu em decorrência da mudança epidemiológica e nutricional que ocorreu após a revolução industrial. A industrialização contribuiu para o aumento da poluição e das taxas de sedentarismo e aumentou a oferta de alimentos ultra processados.

Esses alimentos ultra processados, além de possuírem elevada densidade calórica, apresentam quantidades consideráveis de sódio, usado tanto como conservador como realçador de sabor. E o sódio é um elemento que, quando consumido em excesso, está associado ao agravamento das doenças cardiovasculares.

Devido à relevância do sal como tempero adicionado durante a cocção de alimentos, diversos substitutos têm sido sugeridos, incluindo variedades de sal com apelo saudável, a exemplo do sal rosa do Himalaia.


O sal rosa do Himalaia

Sal do Himalaia, também conhecido como sal rosa, ganhou popularidade nos últimos anos devido aos seus possíveis benefícios à saúde em substituição ao sal refinado.

Extraído de rochas da região do Himalaia, a importação por indústrias brasileiras impulsionou o seu consumo, que aumentou significantemente nos últimos tempos.

O maior estímulo ao consumo do sal do Himalaia é justificado pela afirmação de que o produto apresenta teor reduzido de sódio e aumentado de oligoelementos em comparação com o sal marinho. Todavia, segundo diversas análises, nutricionalmente, o sal do Himalaia é semelhante ao sal comum.

O sal rosa é quimicamente similar ao comum, contendo até 98% de cloreto de sódio e 2% de traços de minerais que são a ele a coloração rosa.

Há uma diferença pequena no teor de sódio das duas variedades de sal, sendo que o sal do Himalaia tem apenas 3% menos de sódio que o comum.

Em relação ao teor de minerais como cálcio, magnésio, potássio e zinco, as diferenças nas concentrações entre os dois tipos de sal são pequenas. Além disso, podem ser justificadas pela composição mineral dos diversos locais e onde são obtidos, sofrendo portanto, profunda influência do local de extração, o que dificulta a comparação.


Sal rosa: pode oferecer risco a saúde

Mas se engana quem pensa que o consumo do sal rosa oferece apenas vantagens. Uma característica marcante do sal do Himalaia é a sua coloração rosada, justificada pela presença de óxido de ferro em sua composição, forma inorgânica do mineral presente nas rochas do Himalaia.

Quando ingerido em quantidades elevadas por humanos, o óxido de ferro pode propiciar reações tóxicas graves. Entretanto, o teor de óxido de ferro do sal do Himalaia não pode ser considerado um risco à saúde devido às baixas concentrações e escassez de estudos sobre o tema.

Vale destacar, contudo, que também não existem estudos que garantam sua segurança a longo prazo, podendo representar um potencial efeito deletério a saúde associado a ingestão frequente e crônica.

Outro ponto importante a se comentar é que a região do Himalaia, onde o sal é extraído, abrange cinco países (China, Paquistão, Índia, Nepal e Butão) de alta densidade populacional e com elevadas taxas de poluição, o que pode comprometer a composição do ambiente em que o sal é extraído.

Outro risco é que há a possibilidade do sal rosa ser fraudado pela adição de corantes ao sal comum, especialmente nos produtos vendidos a granel, onde não é possível ter uma garantia de origem.




Vale ou não vale a pena comprar

Tendo em vista as pequenas diferenças nos teores de oligoelementos e o teor muito semelhante de sódio, não são encontradas justificativas nutricionais que suportem o estímulo ao consumo do sal do Himalaia. Além disso, há riscos associados ao produto, conforme já descrevi aqui no post.

Vale dizer também que o sal do Himalaia, por ser um produto importado, não valoriza a produção e biodiversidade brasileira.

A única vantagem é que o sal rosa é menos refinado, menos processado e, normalmente, não contém aditivos prejudiciais à saúde. Porém, como já mencionado, não há qualquer evidência que comprove que ele realmente ofereça mais benefícios em comparação ao sal de mesa comum.

Portanto, não vale a pena pagar mais caro por esse produto. O risco de consumo excessivo de sódio está também muito mais relacionado com o consumo de muitos alimentos ultra processados, do que com a ingestão de “alimentos de verdade” preparados em casa. Mas, em se tratando de qualquer tipo de sal, o ideal é consumir com moderação.


Para mais dicas sobre nutrição acesse esse link

1 comentário em “Sal rosa do Himalaia: vale a pena pagar mais por ele?”

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