fbpx

Endometriose: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

Sofro com cólicas menstruais desde os 14 anos, mas só recentemente aos 46 anos é que finalmente descobri o motivo: endometriose. Por isso, aproveito esse espaço para informar, para que você procure tratamento o mais rápido possível, caso você se identifique com os sintomas. Infelizmente, o tempo médio para diagnosticar definitivamente o problema pode chegar a dez anos. No meu caso, muito mais. Veja nesse post as causas, os sintomas, como diagnosticar e o tratamento.

Endometriose: o que já se sabe

Estima-se que a endometriose acomete 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva. Em geral, inicia-se ainda na adolescência, mas como o diagnóstico costuma a demorar muito, a maior incidência dos sintomas se apresenta entre os 20 e 29 anos. Mas você pode ser diagnosticada em qualquer idade do seu ciclo reprodutivo.

Estresse e antecedentes familiares

A chance de desenvolver a doença é 6x maior entre mulheres com antecedentes familiares da doença, demonstrando o forte componente genético. Em geral, mulheres submetidas a um alto nível de estresse apresentam uma tendência maior a desenvolver a endometriose.

O estresse é um dos principais responsáveis pela queda da imunidade, reforçando mais uma vez a teoria de que a doença é decorrente de uma deficiência do sistema imunológico. A endometriose é, ainda, responsável por 35 a 50% dos casos de infertilidade.

Enfim, é uma doença com grande incidência e muito incapacitante, que causa entre outros sintomas, dores fortes, infertilidade, problemas respiratórios, urinários e digestivos, fadiga, enxaqueca, entre outros.

Os sintomas são bem variados e podem atingir muitas partes do corpo porque é uma doença que se espalha pelo corpo. Veja nesse post como diagnosticar e os tratamentos para essa doença.

Alguns conceitos importantes

O útero é revestido pelo endométrio, tecido altamente vascularizado que reveste a parede interna do órgão, que descama durante a menstruação. Em condições anormais, esse revestimento aparece fora do útero, configurando a endometriose. Ou seja, a doença nada mais é que o crescimento de pedaços do endométrio fora do lugar.

Quando se instala em outros órgãos, o tecido do endométrio tenta se comportar como se estivesse no útero: torna-se mais espesso durante o ciclo menstrual e sofre sangramento ao final dele, tudo regido pelos nosso hormônios.

Dependendo da região do organismo onde o tecido endometrial se instada, não há sangramento, mas nem por isso ele é inofensivo.  Endometriose que parece nos ovários, por exemplo, gera um processo inflamatório intenso, que acaba irritando os tecidos ao redor, causando dor na maioria dos casos. E que dor!

A cada ciclo menstrual essas inflamações podem aumentar, resultando em cistos ou nódulos nos locais acometidos. Com o passar do tempo, eles podem gerar aderências, como se fosse cicatrizes, unindo o tecido endometrial a outros órgãos, o que causa dores ainda mais intensas, que podem se tornar crônicas.

O tamanho da lesão de endometriose não é proporcional à dor. Um pequeno foco pode ser muito mais doloroso do que um extenso.

Endometriose

Sintomas da endometriose

  • Cólica durante a menstruação – não é decisivo para o diagnóstico, mas é sem dúvida, um grande indício.
  • Dispareunia (dor na relação sexual) – durante ou depois da relação. É um dos sintomas mais comuns.
  • Dores no meio do ciclo – estão relacionadas à distensão do ovário. Esse desconforto normalmente dura algumas horas, mas pode se prolongar por dias.
  • Dores acíclicas – sem relação com o ciclo menstrual: cólicas difusas na região abdominal, dor generalizada na região pélvica, dor nas costas, dor irradiada para as pernas, dor no útero semelhante a contrações e náuseas e vômitos precipitados pela dor.
  • Sangramentos anormais – mais volumoso ou extenso.
  • Dificuldade para engravidar – cerca de 40 a 50% das mulheres inférteis podem ter endometriose.  Mas, ser portadora de endometriose não é uma sentença de infertilidade.
  • Tendência a doenças autoimunes – a associação entre a endometriose e outras doenças autoimunes como hipotireoidismo, ama, fibromialgia, lúpus, esclerose múltipla, artrite reumatoide e processos alérgicos pode chegar a 40%.

Quando a endometriose atinge outros órgãos

  • Sintomas gastrointestinais – quando a endometriose atinge o intestino: diarreia ou prisão de ventre, náuseas, sangramento nas fezes, dor ou inchaço abdominal (que em geral começam no período pré-menstrual), pontadas no reto e gases.
  • Sintomas urinários – quando acomete a bexiga, os ureteres e/ou os rins e pode causar: dor abdominal baixa, dor que se confunde com a de uma infecção urinária, aumento da frequência urinária, vontade súbita de urinar, sangramento na urina e dor nas relações sexuais.
  • Dor abdominal associada ao local onde foi feita uma cirurgia obstétrica ou ginecológica prévia, principalmente pós-parto cesáreo.

Outros sintomas menos comuns

Também podem ocorrer:

  • Cansaço constante – por defici6encia autoimune, reação à inflamação ou devido ao estresse causado pelas dores frequentes.
  • Problemas respiratórios – tosse com sangue na época da menstruação, se focos da endometriose se instalarem na pleura, membrana que reveste os pulmões. É um quadro raro. Além de tosse podem ocorrer falta de ar, dor ou dificuldade de respirar e presença de líquido no pulmão.
  • Enxaqueca e convulsões – condição muito rara, a endometriose pode estar ligada a alterações cerebrais. Entre os sintomas estão: dor de cabeça súbita, confusão mental, vômitos e desmaios na época da menstruação. Esses sintomas podem estar mais relacionados ao aumento da produção de prostaglandinas pelo útero e que caem na corrente sanguínea.

Há uma teoria sobre o mistério da “endometriose viajante” explicando que o tecido endometrial pode viajar para locais distantes como pulmões, fígado e cérebro por disseminação linfática e vascular. As contrações do útero, muito provavelmente, forçariam as células endometriais para os vasos linfáticos e sanguíneos, que estão dentro e fora do órgão, levando os focos da doença para outros locais do corpo.

Endometriose - possíveis focos da doença.

O que causa a doença

Não se sabe exatamente quais fatores levam ao desenvolvimento da endometriose, mas existem teorias. São elas:

Teoria da menstruação retrógrada

Cerca de 90% das mulheres sofrem com o que se chama de menstruação retrógrada. Como o próprio nome diz, nesse processo, em vez de o sangue seguir seu fluxo normal e ser expelido pela vagina, ele segue outro caminho. Uma parte desse fluxo menstrual acaba voltando em direção as tubas uterinas, o que leva ao extrasavamento de uma pequena quantidade de sangue na cavidade abdominal e no peritônio (membrana que reveste a cavidade abdominal).

Essa teoria, de 1921, contudo, não explica como a endometriose migra para lugares longe da cavidade abdominal, como a parede do abdome, o cérebro e o pulmão.

Outro problema dessa teoria, é que se 90% das mulheres apresentam menstruação retrógrada, por que somente entre 10 a 20% têm endometriose? Existem mulheres que mesmo nascendo sem útero em decorrência de alguma anomalia, podem ter endometriose ao longo da vida. E meninas que nunca menstruaram, e até homens, por incrível que pareça, podem ter endometriose.

Teoria das anormalidades pélvicas

Mulheres com alterações da anatomia dos órgãos pélvicos são mais propensas a ter endometriose, principalmente em virtude de fatores mecânicos. Esses fatores fazem com que o fluxo do sangue encontre algum obstáculo e isso leva a um maior refluxo para fora das tubas uterinas.

  • Estenose cervical: mulheres que apresentam o colo do útero mais fechado que o normal, o que dificulta a saída de sangue até o canal vaginal, permitindo assim, que uma parte volte para dentro do corpo. Em uma situação normal, cerca de 99% do fluxo menstrual deve fluir para fora da vagina, permanecendo no útero ou voltando para as trompas apenas 1% de sangue.
  • Períodos menstruais longos e com um fluxo de sangue maior que o normal, aumentando assim o risco de algum sangue retornar.
  • Anomalias uterinas como útero septado (quando há uma divisão no meio do corpo do útero), útero bicorno (tem dois corpos uterinos) ou útero didelfo (quando a mulher apresneta dois úteros rudimentares separados).

Teoria da hereditariedade

Há várias pesquisas mostrando que a endometriose apresenta um forte componente genético. Por exemplo, se a mãe ou a irmã foram diagnosticadas com a doença, o risco é entre 7 a 10 vezes maior do que alguém sem essa hereditariedade. A gravidade da doença, com acometimento extenso de locais como intestino e bexiga, é maior do que alguém sem histórico familiar da doença.

O conhecimento da genética molecular trouxe novas informações sobre o tema. Pesquisadores observaram e identificaram as seguintes condições nos pacientes com endometriose que reforçam a teoria da hereditariedade:

A hereditariedade

  • Mutações genéticas: por alguma mutação as células que se destacam do endométrio não sofrem apoptose (a morte celular programada), pelo contrário, continuam a proliferar levando a doença.
  • Adesão de células anormais: essa anomalia pode permitir que células cresçam sobre superfícies que normalmente não as aceitariam, permitindo assim que células do endométrio cresçam na parede de outros órgãos e tecidos.
  • Grande produção de aromatase: a aromatase é uma enzima capaz de converter hormônios esteroides (masculinos) em estrógeno. Um tecido endometrial normal não tem aromatase detectável, mas quando há endometriose, os níveis de atividade dessa enzima são muito altos, fazendo com que haja maior produção de estrógeno no tecido endometrial.
  • Algumas mulheres têm uma tendência de transformar células totipotentes (aquelas que podem se transformar em qualquer célula em qualquer lugar do corpo) em células iguais as do endométrio.
  • Influência do tipo físico: mulheres altas e magras normalmente têm ciclos menstruais mais curtos, e por isso menstruam mais frequentemente. Elas também são mais propensas a terrem o colo do útero mais fechado, o que como já mencionado, aumento o risco de desenvolver a doença.
  • Obesas: o tecido gorduroso é responsável pela produção de um tipo mais fraco de estrógeno chamado estrona. Apesar de ser menos potente do que o estrógeno, também influencia o crescimento do tecido do endométrio.

Teoria da metaplasia celômica

Hoje essa é a teoria principal, que sugere que quando as células mesodérmicas que formam os órgãos da região pélvica, abdome ou pulmões são expostas a algum estímulo hormonal ou inflamatório, podem se transformar em células endometriais.

O papel do sistema imunológico na endometriose

Estudos indicam que o sistema imunológico desempenha um papel importante na manifestação ou não dessa enfermidade. Em mulheres com endometriose parece não funcionar perfeitamente, permitindo que células endometriais se desenvolvam em lugares errados.

  • Mulheres com endometriose têm menos atividade das células NK (um tipo de leucócito) no peritônio, explicando assim, porque as células endometriais anormais não são destruídas e acabam se alojando sobre outros órgãos e tecidos.
  • Pacientes com endometriose podem produzir quantidade maior de proteínas como interleucina-1 e interleucina-8 e TNF-α,  secretadas por células do sistema imunológico, que estimulam mitoses, diferenciação celular e formação de novos vasos sanguíneos.
  • Há evidências científicas e coincidências que indicam que a endometriose pode ser uma doença autoimune. Primeiro porque tanto os problemas autoimunes quanto a endometriose envolvem fatores hormonais. Além disso, depois que uma pessoa desenvolve uma doença autoimune, está mais propensa a manifestar outras. Cerca de 40% das mulheres que têm endometriose têm hipotireoidismo, quase 30% têm fibromialgia, mais de 10% têm asma e mais de 60% têm alergias.
  • Alergia e endometriose: nas duas doenças o sistema imunológico se comporta de forma mais violenta que o normal contra o invasor, como as células endometriais ou o pólen, aparentemente inofensivo. Há então uma resposta imunológica desproporcional que causa inflamações constantes.

Dor – forte indício de endometriose

Dor durante o ciclo menstrual não é normal, portanto, não ignore. Mulheres com endometriose tendem a sentir um incômodo que começa no final do ciclo menstrual (antes da próxima ovulação) e dura alguns dias. Nesse caso, a dor pode variar de leve, moderada a severa ou incapacitante, piorar com o tempo, de ciclo para ciclo e vir acompanhada de náusea, diarreia, dores nas costas e nas pernas.

A dor é causada por:

  • Produção e liberação de altas doses de prostaglandina, substância que circula no organismo em casos de inflamações agudas. Quando há endometriose, seus níveis tendem a ser muito altos.
  • Inflamação na pelve causada pela liberação de substâncias químicas inflamatórias, como interleucinas, produzidas pelo tecido endometrial fora de lugar.
  • Cicatrizes e aderências produzidas pela inflamação intensa que tensionam órgãos e outros tecidos.
  • Inflamação reflexa nos nervos por causa da endometriose.
  • Os efeitos da doença sobre o útero, os ovários ou outros órgãos.

Como diagnosticar a doença

Após a suspeita diagnóstica de endometriose pelos sintomas clínicos, o processo de diagnóstico é composto por 5 etapas. São elas:

Etapa no 1: exame físico

Consiste em uma avaliação ginecológica minuciosa. O exame de toque vaginal conduzido por um profissional especializado é uma das mais eficientes maneiras de diagnosticar a endometriose.

Etapa no 2: exame laboratorial

Um exame de sangue para verificar o marcador CA-125. Vários marcadores têm sido investigados, porém nenhum mostrou-se específico para a endometriose, o CA-125 é o mais utilizado, contudo, também não é considerado um marcador muito bom.

Um resultado normal de CA-125 (que ocorre na maioria das mulheres) não exclui a presença de endometriose. Da mesma forma, uma dosagem aumentada não é certeza de que a mulher apresente a doença, pois ele também se altera em casos de cistos de ovário, miomas, adenomiose, gravidez e tumores de fígado e ovário.

O CA-125 costuma aparecer em maior quantidade no sangue em casos de inflamação, processo que geralmente acompanha a endometriose. Para a maioria dos laboratórios, um índice de CA-125 inferior a 35 U/mL é considerado normal. Para verificar a dosagem, o sangue deve ser colhido preferencialmente entre o primeiro e o terceiro dias do ciclo menstrual, durante o sangramento.

Etapa no 3: exames de imagem

Ultrassom é o mais difundido e pode ser:

  • Abdominal ou pélvico – mais comum e menos invasivo. É bastante empregado na área de obstetrícia, no diagnóstico de miomas, de cistos de ovário, de problemas na bexiga, rins e fígado. Permite checar a posição dos órgãos e pode ser feitos em mulheres que nunca tiveram relações sexuais.
  • Transvaginal – usado preferencialmente para visualizar útero e ovários.
  • Transvaginal com preparo intestinal – depois dos ovários e do peritônio, o intestino é a região onde a endometriose mais se instala. Para efetuar o exame no intestino de maneira adequada, assim como na vagina, na região retrocervical (atrás do colo do útero), nos ureteres, bexiga e apêndice, recomenda-se o preparo intestinal. O preparo consiste de duas etapas: administração de um laxante por via oral na véspera do exame e de um laxante tópico (para fazer uma lavagem intestinal) meia hora antes do exame.
  • Doppler – recurso diagnóstico que complementa o ultrassom simples.

Outros exames de imagem

  • Ressonância nuclear magnética da pelve – opção de exame para mulheres virgens, capaz de identificar os focos de endometriose com precisão em torno de 60%. Exige preparo intestinal.
  • Ecocolonoscopia – usado exclusivamente para avaliação da endometriose intestinal.
  • Histerossalpingografia – realizado quando a mulher não consegue engravidar. Avalia se há comprometimento das tubas uterinas.
  • Histerossonografia – indicado para as mulheres com queixa de infertilidade ou sangramentos vaginais aumentados. Busca-se identificar a presença de miomas, pólipos ou aderências dentro do útero.
  • Tomografia de abdome e pelve – exame acessório pouco aplicado uma vez que não é muito eficiente para o diagnóstico da endometriose, por não permitir a diferenciação dos tipos de alterações em ovários e intestino.

Etapa no 4: diagnóstico cirúrgico

É a única maneira de confirmar o diagnóstico da endometriose com 100% de certeza. Por meio da cirurgia é realizada a biópsia com retirada do tecido de endometriose. É feito em geral por videolaparoscopia. Faz-se a constatação visual da doença, e então o foco de endometriose é completamente removido e enviado para análise.

A cirurgia de barriga aberta é pouco utilizada porque não é possível ter um acesso adequado da parte posterior da pelve, ou seja, atrás do útero, onde se encontra a maioria dos focos da doença.

Atualmente uma nova tecnologia, a robótica, vem sendo usada no tratamento cirúrgico da endometriose por fornecer uma melhor visão da cavidade abdominal com imagens em 3D.

Em todos os casos, o procedimento é feito em centro cirúrgico, com anestesia geral.

Etapa no 5: classificação da doença

Assim que o diagnóstico for fechado, o médico usará um sistema desenvolvido pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, de 1996, para classificar a endometriose em 4 estágios, levando em conta: a extensão da lesão, localização, gravidade e superficialidade ou profundidade.

A endometriose é superficial quando se aloja apenas na parte externa do órgão. E profunda, quando atinge mais de 5 mm de profundidade dentro da parede de órgãos como bexiga, ureter, vagina, intestino e região retrocervical (atrás do útero).

Esse sistema parte de uma pontuação para fazer a classificação. A endometriose pode ser classificada como mínima, suave, moderada ou severa.

Os tratamentos da endometriose

Existem drogas para o tratamento da endometriose, mas não garantem a cura permanente, mas, apenas o alívio dos sintomas ou o controle das complicações.

Há diferentes classes de drogas. Algumas aliviam as dores e diminuem as inflamações. Outras terapias suprimem o crescimento do tecido endometrial e fazem com que os pedaços do endométrio implantados fora do útero encolham, e até se tornem inativos.

Nenhum dos medicamentos disponíveis, contudo, é capaz de eliminar a doença, nem fazer com que as aderências e as distorções anatômicas já presentes regridam.

Depois de tratamentos hormonais, que reduzem ou paralisam momentaneamente o funcionamento dos ovários, a endometriose tende a ficar apenas parada até que os ovários voltem a funcionar. Isso ocorre poucos meses depois da interrupção do tratamento.

O tipo de medicação que funciona melhor vai depender da tolerância aos efeitos colaterais que cada droga provoca, e isso varia de mulher para mulher.

Imitando uma gravidez

A endometriose é uma doença que depende do estrógeno para crescer. A progesterona é o hormônio antagonista, ou seja, tem ação contrária a do estrógeno. Por isso, a progesterona é um “bom tratamento para a endometriose.

Acredita-se que a gravidez reduza significativamente os sintomas da endometriose e estacione seu crescimento, devido aos níveis elevados de progesterona. Por isso, usa-se medicamentos que elevam as taxas de progesterona.

Substâncias utilizadas

A forma sintética da progesterona ou progestogênio, o acetato de medroxiprogesterona (MPA), foi muito utilizada para tratar a endometriose. Essa apresenta uma estrutura muito similar ao hormônio natural e age bloqueando a ovulação, da mesma forma que a pílula.

Outro progestogênio comumente usado é o acetato de noretisterona. Uma terceira opção é o acetato de megestrol, embora esse seja empregado com mais frequência para o tratamento do câncer.

O levonorgestrel e o desogestrel são atualmente os 2 progestógenos mais utilizados no tratamento clínico da endometriose. Podem ser usados na forma oral, com uso contínuo, ou por meio do sistema liberador intrauterino de levonorgestrel, um dispositivo que libera o hormônio diariamente.

Atualmente, vem ganhando grande importância no tratamento da endometriose uma progesterona sintética chamada dienogeste. Ela é capaz, além de bloquear a ovulação, de causar uma atrofia significativa no foco da doença, com bloqueio da menstruação e grande redução dos sintomas de dor.

Esses medicamentos podem ser usados por vários meses seguidos. Os progestógenos mais antigos podem causar efeitos colaterais a longo prazo, devido a alta dosagem normal. Isso não ocorre mais porque dá-se preferência ao uso de medicamentos com baixa dosagem, administrados de forma contínua.

Efeitos colaterais das pílulas anticoncepcionais

Assim como as pílulas anticoncepcionais, os progestogênios podem ter efeitos colaterais como:

  • Inchaço e retenção de líquido.
  • Ganho de peso ou dificuldade de perdê-lo (principalmente quando se está tomando MPA, que apresenta uma maior dosagem hormonal).
  • Depressão e mudanças de humor.
  • Sangramentos irregulares, que podem diminuir depois do primeiro ao terceiro mês de uso.
  • Perda de massa óssea; se usar MPA terá que fazer exames periódicos de acompanhamento.
  • Perda de libido.
  • Aumento da oleosidade da pele, causando acne e queda dos cabelos.
  • Alteração do ritmo intestinal com maior constipação pela diminuição da movimentação do órgão.

Imitando a menopausa

Outra forma de tratamento hormonal é a que simula a menopausa. Também age sobre os receptores cerebrais, dessa vez ligados à glândula hipófise, induzindo a uma menopausa temporária. Esse tratamento controla a menopausa porque:

  • Os ovários param de produzir estrógeno.
  • Os níveis dos hormônios FSH e LH liberados pela hipófise sobem muito na tentativa de estimular os ovários.

Drogas utilizadas

As drogas usadas para simular a menopausa são chamadas de agonistas do GnRH, hormônio produzido pelo hipotálamo, e que age estimulando a hipófise a produzir o FSH e o LH. Esses dois últimos hormônios estimulam os ovários a produzem estrógeno e progesterona. Sem o estímulo sobre os ovários, os níveis de estrogênio caem muito, parando o estímulo de crescimento do endométrio. Mulheres que usam os agonistas de GnRH notam uma significativa redução da dor.

Os agonistas do GnRH são usados apenas em casos extremamente avançados de endometriose, para a complementação após tratamento cirúrgico. Podem ser administrados na forma injetável, como spray nasal ou implante sob a pele. Mas devem ser usados por no máximo 6 meses, por causa de seus efeitos colaterais como: dor de cabeça, insônia, queda de cabelo, depressão, perda de massa óssea, secura vaginal e ondas de calor.

Infelizmente, assim como outros tratamentos, a doença pode voltar a crescer e os sintomas podem retornar depois de algum tempo de suspensão de uso. Não é indicado para jovens que ainda não passaram pela puberdade, nem para mulheres grávidas.

Métodos hormonais – pílula e DIU

Os contraceptivos orais, além de prevenirem a gravidez, também são eficazes no tratamento da dor e do sangramento provocados pela endometriose.

Esse tipo de medicamento suprime a ação dos hormônios hipofisários LH e FSH, e evita a ovulação. A progesterona existente nele inibe também o crescimento do tecido endometrial.

No geral, usa-se a pílula monofásica, que oferece a mesma quantidade e combinação de drogas todos os dias. Existem pílulas que tentam simular de forma cada vez mais real um ciclo hormonal normal, mudando a quantidade e a combinação dos hormônios ao longo dos dias.

O médico pode receitar que você tome a pílula todos os dias por 3 ou 4 meses sem interrupção, evitando assim que você menstrue, para evitar a dor e outros sintomas desagradáveis desse período.

Contraceptivos na forma de adesivos de pele ou anel vaginal também podem ser usados como a pílula no tratamento da doença. Só muda a via de administração do hormônio, sendo uma excelente alternativa para mulheres que têm intolerância à pílula oral.

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais são: inchaço abdominal e nas pernas, sangramento entre os períodos, sensibilidade nas mamas, aumento do apetite, especialmente por doces e náuseas. Mais raramente podem ocorrer casos de trombose (caso exista alguma predisposição e seja usada uma pílula com estrógeno sintético – o etinilestradiol).

Há também as pílulas apenas com progesterona, que bloqueiam a ação do estrógeno. São administradas de forma contínua, fazendo com que a mulher pare de sangrar. As principais pílulas dessa classe de medicamentos contém levonorgestrel, desogestrel ou ainda o dienogeste. Essas substâncias provocam uma atrofia progressiva do foco da doença fazendo com que, em alguns casos, ela regrida. Com isso, há melhora dos sintomas, principalmente da dor.

Os efeitos colaterais a pílula de progesterona são: escapes de sangue, inchaço, aumento da oleosidade e queda do cabelo, acne, aumento do apetite e alterações de humor.

DIU

O DIU medicado com hormônio é outro método hormonal que pode ser usado para aliviar a dor causada pela endometriose. Isso porque também reduz a proliferação de células endometriais. A progesterona presente no dispositivo (levonorgestrel) afeta principalmente o endométrio dentro do útero e o muco do colo uterino, evitando a gestação e causando menos efeitos colaterais sistêmicos, já que sua ação é local.

O DIU tem uma série de vantagens no tratamento da endometriose que são:

  • Diminui o sangramento disfuncional em mais de 90%.
  • Provoca menos efeitos colaterais que as pílulas.
  • Diminui as chances de desenvolver doenças inflamatórias pélvicas.
  • Dura até 5 anos.
  • Não é preciso lembrar de tomar a dose diariamente.

Mas há contraindicações para o DIU, são elas:

  • Ter alguma doença inflamatória na pelve.
  • Possuir alguma doença sexualmente transmissível.
  • Ter infecção vaginal ou no colo do útero.
  • Apresentar anormalidades no útero ou sangramento uterino.
  • Ter ou já ter tido alguma doença hormônio-dependente, como câncer de mama (que tenha receptores de progesterona).
  • Ser alérgica a silicone, levonorgestrel ou polietileno

Outros medicamentos para tratamento da endometriose

Além dos tratamentos a base de hormônios, há também alguns que agem de modo diferente, principalmente para o alívio da dor. São eles:

Anti-inflamatórios usados no tratamento da endometriose

A endometriose costuma vir acompanhada por uma inflamação. Por isso, essas drogas são eficientes. Os de menor dosagem são vendidos sem necessidade de receita médica. Ajudam a diminuir a inflamação decorrente das aderências causadas pela doença e do próprio processo inflamatório causado pelo estímulo do foco de endometriose.

As antiprogestinas são drogas que reduzem os receptores de estrogênio e progesterona, os mais estudos atualmente são gestrinona e mifepristona. Ambas são substâncias que têm ação androgênica e causam a atrofia do endométrio, levando à diminuição do efeito inflamatório do foco de endometriose e, consequentemente, da dor.

Os SERMS (inibidores seletivos dos receptores de estrogênio) se comportam como o estrogênio em alguns tecidos e como bloqueadores do hormônio em outros. O raloxifeno é o mais estudado no tratamento da endometriose, mas seu uso ainda é bastante restrito.

Os inibidores da aromatase impedem a conversão do estrógeno pela enzima aromatase. Com isso, reduzem a produção desse hormônio, bloqueando o crescimento do foco de endometriose. Mas são pouco usados devido aos efeitos colaterais.

Analgésicos

Para muitas mulheres, a dor é o pior desconforto causado pela doença.

Acetaminofenos

Os acetaminofenos são o tipo mais comum de analgésico. Além de aliviar a dor, têm também ação na diminuição da temperatura do corpo. Não causam irritação no estômago, como o AAS e os anti-inflamatórios. Por isso, podem ser usados por um período mais prolongado, mas não possuem ação anti-inflamatória, importante no caso da endometriose.

AAS

O AAS (ácido acetilsalicílico) tem ação tanto na dor quanto sobre a inflamação, atuando em duas frentes. O AAS inibe a prostaglandina, a responsável pelas cólicas uterinas. A dose diária não deve ultrapassar 2,4 mg, a não ser que haja indicação médica. Converse com seu médico, os efeitos colaterais, como sangramentos intensos e úlceras no estômago, podem tornar esse tipo de medicamento perigoso, ainda mais se você tiver insuficiência cardíaca, refluxo, doença hepática ou renal.

Mas o AAS não deve ser tomado por período prolongado, uma vez que seu consumo leva a uma série de efeitos indesejáveis como: constipação ou diarreia, sonolência, retenção de líquidos, dor de cabeça, náusea e vômitos, erupção, diminuição do fluxo de sangue para os rins e aumento da pressão arterial para os suscetíveis. Por isso, sua indicação é cada vez mais restrita.

Opioides e antidepressinos

Os opioides são uma classe de analgésicos poderosa, mas que só podem ser vendidos com receita médica.

Algumas classes de antidepressivos têm propriedades analgésicas e diminuem as dores crônicas em até 50% dos pacientes. A principal classe utilizada são os chamados tricíclicos, que bloqueiam as vias da dor até o SNC, fazendo com que o limiar de dor aumente. Também alteram a secreção de endorfina e serotonina, que ajudam a equilibrar o humor e bloquear a dor.

Novos tratamentos da endometriose

Visam atacar não só os sintomas, mas enfrentar a doença:

  • Como problemas imunológicos podem ter grande parcela de culpa no desenvolvimento dessa doença, o tratamento com drogas imunossupressoras podem interromper seu desenvolvimento.
  • Medicamentos antiestrogênio, que bloqueiam os receptores do hormônio, com a vantagem de agir também sobre a resposta imune que gera a inflamação.
  • Botox, que ajuda a relaxar os espasmos musculares na região pélvica, aliviando a dor.

Cirurgia para tratamento da endometriose

Quando a endometriose já atingiu vários órgãos, o mais indicado é partir para a cirurgia. Além disso, mesmo em casos de endometriose menos avançados, quando não ocorreu melhora dos sintomas de dor após 6 meses a 1 ano de tratamento com remédios, a cirurgia é recomendável.

Pode ser feita por laparoscopia (técnica feita pelo umbigo), que além de ajudar no diagnóstico, também é usada para eliminar a doença. Em algumas raras situações, a laparoscopia pode ser substituída pela laparotomia. Nesse caso, realiza-se uma incisão maior no abdome.

Quando a endometriose está em fase mais avançada e já se instalou profundamente em regiões de acesso difícil, ou delicadas, como intestino e bexiga, a cirurgia robótica é a melhor solução. É considerada uma técnica minimamente invasiva, mas os planos de saúde geralmente não pagam por ela, sendo restrita a poucos hospitais.

Em alguns casos é necessário realizar uma cirurgia mais radical onde são retirados útero, tubas e ovários. É indicada apenas em casos muito refratários ao tratamento convencional cirúrgico ou medicamentoso.

Tratamentos com terapias alternativas ou complementares

Como o próprio nome já indica, pode não ser uma solução para a endometriose por si só, mas oferece reforço principalmente na redução dos sintomas.

Fitoterapia no tratamento da endometriose

Através da fitoterapia, tratamento que baseia-se no uso de ervas para curar doenças, Naturopatas ou herbalistas usam as seguintes ervas para tratar a endometriose: flor de camomila, raiz de gengibre, goldenseal, motherwort, framboesa vermelha, entre outras. Essa linha de tratamento associa a doença a uma variedade de causas como queda da imunidade, estresse, ansiedade, histórico cirúrgico, exposição a baixas temperaturas durante o ciclo menstrual ou infecções ginecológicas. Busque profissionais capacitados.

Medicina Tradicional Chinesa (MTC)

Para a MTC a endometriose acontece por causa de uma estagnação do sangue na parte inferior do abdome, que leva à formação de caroços e, consequentemente, às dores pélvicas e nas costas. O termo chinês da endometriose é neiyi, que significa “caroço interno”.

Existem duas fórmulas revitalizantes para a parte inferior do corpo a base de plantas desenvolvidas em 1800, que ainda são amplamente utilizadas. Uma fórmula é a shaofu zhuyu tang e a outra é gexia zhuyu tang. As duas fórmulas são parecidas e contêm muitas das ervas listadas a seguir:

  • Canela – melhora a circulação, aquece o corpo e diminui a dor.
  • Cnidium e Corydalis, yahmhuuo – melhoram a circulação e reduzem a dor.
  • Muli (ou concha de ostra) – amolece os tecidos.
  • Semente de pêssego (ta oren) – reduz coágulos.
  • Peônia vermelha – melhora a circulação sanguínea.
  • Ruibarbo – melhora a circulação, reduz o inchaço, tem efeito laxativo e reduz o sangramento.
  • Tang-kuei – nutre os vasos sanguíneos e melhora a circulação.

Acupuntura para tratamento da endometriose

Faz parte da MTC e é muito usada para o alívio da dor, principalmente pélvica. Normalmente, os pontos da acupuntura usados para o tratamento da endometriose estão localizados nas orelhas, no abdome, nos pulsos, nos pés, nas pernas e nas costas.

Cada ponto em que a agulha é inserida tem uma importância terapêutica. O objetivo é estimular as terminações nervosas e liberar endorfina. A técnica pode também melhorar a circulação do sangue.

Durante as sessões, que podem ser semanais ou mais vezes, conforme a indicação do médico, as agulhas permanecem nos pontos de 20 a 45 minutos. Indica-se que a paciente tenha seu próprio jogo de agulhas para evitar possíveis contaminações. Alguns médicos associam ao tratamento medicamentos naturais.

Outros tratamentos que podem ser associados são: quiropraxia e massagem, TENS (estimulação transcutânea), técnicas de relaxamento e homeopatia.

Tratamento nutricional da endometriose

Uma boa alimentação é um santo remédio para a endometriose, assim como para qualquer mal. A alimentação deve priorizar os alimentos de verdade, comprados nas feiras, sacolões, açougues e peixarias e evitar os produtos industrializados, com gorduras trans, açúcar refinado e excesso de glúten.

O segredo está no bom senso! Um exagero esporádico não compromete a saúde. Mas ao virar hábito, prejudica todo o sistema. Assim, a recomendação sobre a alimentação das mulheres com endometriose não varia muito daquela passada para todas as pessoas.

Suplementos

Quanto aos suplementos vitamínicos e de sais minerais, boas indicações são:

  • Vitamina A e seu precursor, o betacaroteno – antioxidantes, importantes para o sistema imunológico.
  • Vitaminas do complexo B – ajudam no metabolismo das proteínas, carboidratos e gorduras e mantém o nível de estrogênio baixo.
  • Vitamina C – ajuda a controlar o sangramento excessivo.
  • Colecalciferol ou vitamina D – aumenta a absorção do cálcio e ajuda na imunidade.
  • Vitamina E – diminui as cólicas e a retenção de líquidos.
  • Cálcio – reduz as cólicas, dores de cabeça e dores pélvicas.
  • Ácido fólico – importante para a produção de células vermelhas.
  • Ferro – previne a fadiga, a anemia e a fraqueza decorrentes do sangramento intenso.
  • Magnésio – é relaxante muscular.
  • Selênio – diminui inflamações, quando tomado junto com a vitamina E.
  • Zinco – importante para o sistema imunológico.

Importante: os suplementos não substituem uma alimentação balanceada. Vitaminas e sais minerais são mais bem absorvidos quando são provenientes de alimentos do que de suplementos.

Siga o Almanaque da Mulher no Facebook e no Instagram.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *