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Museu do Amanhã: de volta para o futuro?

Visita ao Museu do AmanhãUma ótima dica para quem tem planos de visitar a cidade ou mesmo para quem já mora no Rio de Janeiro é conhecer o novíssimo Museu do Amanhã. Para contar um pouco  da experiência de visita a esse museu experimental, no qual o conteúdo é apresentado de forma interativa e sensorial, convidei a Arquiteta e Professora Sandra de Lima Netto.

 

Museu do Amanhã: de volta para o futuro?

 

Don’t stop, thinking about tomorrow,

Don’t stop, it’ll soon be here,

It’ll be, better than before,

Yesterday’s gone, yesterday’s gone.

 

Youtube: Don’t stop – Fleetwood Mac

Tradução:

Não pare, pense no future,

Não pare, logo o futuro chegará,

Estará melhor do que antes,

Ontem é passado, ontem é passado.

Essa canção tocava no rádio no momento em que entramos no carro na volta da visita ao Museu do Amanhã inaugurado este ano na cidade do Rio de Janeiro. Teria passado despercebida a melodia da banda Fleetwood Mac, dos anos 70, não fosse pela acalorada discussão que acontecia entre nós naquele momento. O motivo da discussão?  O paradoxo observado entre a deslumbrante arquitetura em aço e concreto, compatível com o título do museu, e seu propósito com um interativo e midiático conteúdo histórico.

Sim, conteúdo histórico: o Museu do amanhã fala de coisas do passado.

De modo algum buscávamos história no Museu do Amanhã. Para tal intuito inúmeras opções de outros museus teriam na cidade maravilhosa.

Tínhamos uma grande expectativa de fazer uma viagem ao futuro, instigados pela alva e delgada forma do edifício projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, podendo, por sua vez nos remeter a um imaginário intergaláctico típico de Star Wars. Na verdade, fomos lançados a um universo científico e análise antropológica da formação do nosso querido planeta num formato que mais parece uma viagem ao túnel do tempo.



Sem dúvida nenhuma essa viagem foi muito bem embalada por recursos tecnológicos caraterísticos de uma feira de ciências. A interatividade entusiasmou a nós visitante exigentes, e convidou à reflexão das clássicas perguntas:  “Da onde venho e para onde vou”.  Mas, enquanto apenas estou, devo pensar o que faço (meus hábitos, consumos, comportamentos) com o meio que habito e o quanto ajudo, ou não, os números do amanhã.

 “Yesterday”s gone” é realmente um refrão que deve servir para lembrarmos de não repetirmos os erros de nossa sociedade consumista e porque não chamá-la de predadora neste último século.  E… continuando ”Don’t stop thinking about tomorrow”, pois o imaginário futurístico oferecido no Museu do Amanhã,  tem muito pouco do glamour interestelar que gostaríamos de viver, mas ao contrário, um alerta vermelho a uma situação bio-adversa que não está nada sustentável.

Como arquiteta de formação entendo que a arquitetura como cenário tem o poder de transportar o Homem ao lugar que seu imaginário busca para fugir da sua realidade nua e crua. A meu ver, a nave em forma de transatlântico, exuberante e asséptica que pousou – ou atracou, na Praça Mauá dentro de uma grandiosa proposta de revitalização da zona portuária no Centro do Rio de Janeiro, só foi capaz de seduzir a um amanhã melhor pelas características formais de design e eficiência energética de sua  belíssima carcaça.  O seu interior chega a incomodar pela quantidade de alargamentos e estreitamentos de passagens e espaços ociosos, frequente em museus da atualidade. A luz solar incide confortavelmente no seu interior devido aos planos de vidro nas fachadas da grande obra.  Os imensos brises da cobertura engenhosamente se movem contendo os painéis solares como fonte de energia para o condicionamento térmico. Os espelhos d’agua que circundam a nave dão um ar de leveza à função de museu quase que o contradizendo.

A sensação que tivemos após a visita ao Museu do Amanhã é de uma vontade enorme de ficar exatamente no Hoje e correr para fazer algumas mudanças nos nossos hábitos cotidianos para quem sabe poder proporcionar aos nossos bisnetos a chance de visitá-lo um dia, sem buscar nada além do prazer da apreciação da Arte/Arquitetura e a História.

O Museu possui um segundo piso para exposições rotativas.  Nesse dia não havia nenhuma. No mês de maio o Museu oferece uma Mostra sobre Santos Dumont.

Teremos que voltar!


ArquitetaSandra de Lima Netto

Formada em Arquitetura e Urbanismo pela PUCCampinas e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP. Professora do Curso de Design de Interiores da UNIP  e Colaboradora do SENAC na área de Visual Merchandising.

Serviço:

Para informações sobre horário, como chegar, programação e compra de ingressos visite o site do Museu, é só clicar aqui no link.

Interior do Museu do Amanhã

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