Maltodextrina

O perigo da maltodextrina: você pode estar ingerindo carboidratos sem saber

Com o culto ao corpo perfeito, as pessoas em geral têm tentado ingerir cada vez menos açúcar. A indústria alimentícia, para atender a essa demanda, tem procurado oferecer uma ampla variedade de produtos livres de açúcar de mesa na sua composição, acrescentando, contudo, ingredientes como a maltodextrina. O problema é que ausência de sacarose não quer dizer necessariamente ausência de carboidratos ou de glicose, conceitos muitas vezes confundidos.


O que é o açúcar de mesa

O açúcar, obtido da cana aqui no Brasil, também chamado de açúcar de mesa ou sacarose é um tipo de carboidrato, mas precisamente um dissacarídeo, classificado como carboidrato simples. Os produtos da sua digestão são glicose e frutose, dois monossacarídeos.

sacarose (dissacarídeo) = glicose (monossacarídeo) + frutose (monossacarídeo)

 

Carboidratos complexos X carboidratos simples

Existem outros tipos de carboidratos que são denominados complexos. Os carboidratos complexos são formados pela união de muitos carboidratos simples. Um exemplo muito conhecido de carboidrato complexo é o amido, composto por muitas moléculas de glicose.

O amido é encontrado principalmente nos cereais (trigo, milho, centeio…) e nos produtos provenientes da farinha desses grãos como o pão e o macarrão, por exemplo. Também é encontrado em grandes quantidades nas raízes e tubérculos como as batatas, o inhame, o aipim, entre outros.

Por serem constituídos por grandes quantidades de moléculas, os carboidratos complexos exigem do organismo um pouco mais de energia e tempo para a sua digestão do que os carboidratos simples, que já são pequenos.

Mas tanto o açúcar de mesa, seja ele branco, demerara ou mascavo, quanto o amido após a digestão dão origem ao mesmo tipo de molécula, a glicose. É a glicose, presente na nossa corrente sanguínea, que é usada pelas células do nosso corpo como uma fonte de energia.

 

A maltodextrina

Mas existem outros tipos de carboidratos complexos além do amido, a maltodextrina, tema desse post, é um exemplo. A maltodextrina é um polímero de 5 a 10 molécula de glicose. Pelo tamanho de sua molécula, a maltodextrina é contudo um carboidrato complexo bem pequeno. Alguns autores, inclusive, classificam a maltodextrina como um carboidrato simples. E, assim como o amido e o açúcar de mesa, a maltodextrina também é formada por moléculas de glicose.

A maltodextrina é obtida industrialmente como o resultado da hidrólise do amido obtido do milho, da trigo, do arroz ou da fécula. É normalmente comercializada na forma de um pó branco, mas que não possui sabor doce, assim como o amido, sendo na verdade quase insípida.

Na indústria de alimentos a maltodextrina é usada para “dar corpo” as preparações ou para engrossar os produtos, melhorando a textura e o sabor. É muito utilizada em alimentos diet ou light com o objetivo de ocupar o espaço deixado pela ausência do açúcar de mesa.

A sacarose além de adoçar os alimentos também dá estrutura as receitas por seu próprio volume. Os adoçantes não calóricos em contrapartida costumam ser adicionados em pequenas quantidades devido ao seu alto poder de adoçamento, então a maltodextrina é acrescentada as receitas adoçadas com adoçantes para ocuparem o lugar que seria do açúcar.

Maltodextrina

O perigo da maltodextrina

Após a digestão os alimentos são absorvidos no intestino delgado e passam para a corrente sanguínea. Assim, independentemente se você consumiu o açúcar de mesa, a batata, a pipoca ou um alimento qualquer contendo maltodextrina, você acabou ingerindo glicose.

Como todo carboidrato constituído de moléculas pequenas, e por ser basicamente glicose, a maltodextrina tem o poder de elevar rapidamente a glicemia do sangue (tem alto índice glicêmico). Por isso, apesar de muito rótulo indicar o contrário, não é adequada para ser ingerida por diabéticos nem por pessoas que desejam emagrecer.

A maltodextrina (link), contudo, costuma ser utilizada como suplemento pelos praticantes de atividade física que visam hipertrofia, justamente por elevar o índice glicêmico e com isso estimular a produção de insulina, um hormônio anabólico.

A indústria que coloca no rótulo que um produto contendo maltodextrina é zero açúcar não está necessariamente mentindo, uma vez que tecnicamente, a maltodextrina não o açúcar de mesa. Mesmo que seja transformada em glicose poucos segundos após ser ingerida.


Mas sabendo agora dessas informações, não se confunda. Leia sempre atentamente o rótulo dos produtos e procure por ingredientes que podem não ser necessariamente açúcar de mesa, mas que se comportam no nosso organismo da mesma forma.

Observe também que o açúcar de mesa tem vários sinônimos que podem ser utilizados pela indústria na lista de ingredientes dos seus produtos. Mas isso é assunto para um outro post.

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